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By Ferramentas Blog
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Trocando Postais

12 de ago. de 2010



Que o Postcrossing é um vício, eu já falei. Já expliquei, também como funciona. E já viciei mais algumas pessoas. Já que eu fiz isso, vou, então falar algo sobre a troca: por que envio e recebo tanto postal da Finlândia?!

Bem simples. Para manter a coisa justa, o Postcrossing (criado por um português, by the way) coloca os países mais ativos para mandar para os menos ativos. Ou seja: Tem muita gente ativa na Finlândia e nem tanta gente ativa assim no Brasil. Sendo assim, não seria lá muito equilibrado se a gente aqui começasse a mandar postais para o Afeganistão, com apenas 10 usuários e 18 postais enviados. Eu sozinha, com minhas duas contas, sou mais ativa que o país. A galera da Finlândia (muito legal, inclusive), ia ficar chupando o dedo, né?

Mas eu não marquei a opção de repetir os países! So sorry. Aproveita pra fazer amizade com os finlandeses. Os holandeses também são muito ativos e possuem diversos postais bonitos. O que mais você pode fazer? Bom, criar posts no seu blog falando sobre o Postcrossing é uma idéia. Convidar amigos pessoalmente é outra. Mostrar sua linda caixa de postais pras visitas ou deixá-las ver como você fica feliz quando recebe coisinhas do correio também é válido. Quanto mais gente mandando postais, mais ativo é um país e para mais países "estranhos" teremos contato.

Tá, o site é pago? Nope! Ó que lindo: vc só tem que pagar pelo postal e pelo envio. E deixa eu dizer: só pago R$1,25 pra mandar um postal pra China.

E como o site sabe que meu postal chegou? Bem simples: na hora que você pede um endereço, o site te passa junto uma ID. Você deve escrevê-la em algum canto do postal. A recomendação é que não seja escrito embaixo do endereço nem na área das estampas. Escreva, também, mais de uma vez por postal. Eu coloco duas vezes, em cores diferentes do texto e a orientação do texto varia...

Ok, gostei! Então se registra aí, txio/txia! =D http://www.postcrossing.com/signup
Minha galeria de recebidos no usuário fve1986


Dicas de onde comprar postais em João Pessoa:
Tem gente que tem dúvidas sobre onde encontrar postais em JP, então segue uma pequena lista de lugares:

UFPB: No Centro de Vivência, perto do Banco do Brasil, tem uma papelaria que vende de tudo, inclusive cartões postais. Tem postal que só encontrei lá e o preço é o melhor que encontrei: R$ 0,70.

Banca Viña Del Mar: Qualquer banca dessa rede possui postais, dos mais variados, só que eles não deixam à mostra, não sei por quê. Os preços variam, o mais barato custa R$ 1,00. Tem uns lindos e outros muito, muito toscos e desfocados. Tem uma Viña del Mar na Feirinha de Tambaú, outra no Mag Shopping, outra no Habib's e uma no Centro.

Feirinha de Tambaú: Perto da praça de alimentação que parece uma rodoviária há uma banca de revistas cujo nome eu não me lembro. Lá também vende cartões postais, o mais barato, se não me engano, custa R$ 1,20.


Bessa Shopping: Há uma papelaria, ao lado do Banco do Brasil, que vende cartões postais, a R$ 1,00 cada. Também funciona como agência dos Correios. Lá eu compro, lá eu mando. Já tô ficando amiguinha do pessoal da loja.

Lagoa: Dizem as más (ou seria boas?) línguas que algumas barracas no Parque Solon de Lucena vendem postais. Eu ainda não tive a chance de descobrir.

Aeroporto: Há uma loja no Aeroporto Castro Pinto (olha o nome do aeroporto de João Pessoa... ¬¬) que também vende postais, mas como são os mesmos da Viña del Mar, não me preocupei em olhar preço. Ainda assim, se você estiver saindo da cidade e tiver esquecido de comprar alguns, eis sua chance!

Mag Shopping: Aqui não é exatamente compra. Nos locais de pagar estacionamento, normalmente há postais do shopping. É propaganda, mas as fotos costumam ser bonitas.


Sabe de algum outro local para comprar cartões postais? Não seja egoísta, informe nos comentários! =D Não precisa ser, especificamente, em João Pessoa. Fale da sua cidade, é sempre bom saber aonde podemos comprar essa singela lembrancinha quando estamos viajando.

Seja criativo, faça seus próprios postais. É possível revelar fotos e, no verso, colar papel adesivo para escrever o endereço e a mensagem. Muitos dos melhores postais são feitos dessa forma e, como ainda não vi um postal que não seja turístico em João Pessoa, é um jeito de você variar, também.

Dúvidas que já ouvi:
Onde escrevo o endereço do destinatário?
Preferencialmente à direita. A àrea da esquerda serve para você escrever sua mensagem e a ID do postal.


E o meu endereço, onde vai?
Não vai. Não precisa. Se você realmente quiser, pode fazer um adesivo com seu endereço, bem pequenininho e colar no cantinho inferior esquerdo do postal. Deixe claro que isso é o endereço do remetente, ou você pode acabar com um cartão retornado.

Para evitar dúvidas, segue um exemplo. Esse é o verso que uso quando mando um postal caseiro.


Verso do postal
No topo, do lado esquerdo, coloco a identificação do postal. No caso, foi a foto que tirei do MAC (Museu de Arte Contemporânea). No lado direito, marquei uma área para o selo, logo abaixo para o endereço e, por último, áreas de identificação com a ID, o nome de usuário e a data em formato internacional (ano - mês - dia). Nunca tive problemas com a identificação aí, mas mudarei isso em futuros postais, já que pode ser confuso.
Frente do postal
Qualquer dúvida, dica, informação, seja bem vindo. Os comentários estão mais do que abertos!

Minha conta principal (galeria):  http://www.postcrossing.com/user/fve86/gallery
Minha conta secundária (galeria): http://www.postcrossing.com/user/fve1986/gallery


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Dia 6 - Conhecendo a UFF

16 de mai. de 2010

05.04.2010
Um dos meus principais objetivos na viagem para Niterói era conhecer a Universidade Federal Fluminense (ou, ao menos, o campus aonde eu assistiria aula, porque a universidade tem diversos campi espalhados por Niterói e outras cidades) e os professores da pós-graduação de Comunicação e Cinema.

Entrei em contato com alguns deles por e-mail e fui informada de uma reunião que aconteceria no IACS - Instituto de Arte e Comunicação Social -, felizmente próximo ao prédio do namorado.

Chegamos lá, descobrimos aonde era a sala da reunião e ficamos esperando que ela terminasse, para eu conversar com o professor. Era uma manhã-quase-tarde chuvosa e não tínhamos muito o que fazer a não ser observar os arredores. A conclusão que chegamos é que o curso de Comunicação Social é escanteado seja lá onde for. Bonita a foto antiga, né? O prédio ainda é o mesmo, mas está mais mal cuidado do que na foto. Os professores com quem me encontrei falaram que não falta equipamento. Eles têm laboratórios completos, estão com aparelhos de ar-condicionado novos sobrando (que estão estragando ao relento, porque eles não podem doar e os responsáveis não os removem para instalar em algum outro lugar que esteja precisando), o conceito do curso no MEC é cinco - conceito máximo. Mas a estrutura que é bom, está em falta. O prédio necessita de reformas urgentes e o curso carece de salas de aula.

No Decom, da UFPB, não é muito diferente. Agora estão construindo um prédio novo, então pelo menos salas de aula temos. Mas o bloco mais recente, carinhosamente apelidado de microondas, é apenas uma maquiagem de um prédio velho, cujas fiações são um verdadeiro desastre e - adivinha - pouco foi feito a respeito. Muitas salas precisam de ar-condicionado, mas possuem ventiladores que mal funcionam (ou tiveram um curto-circuito por causa da fiação) e as passagens de ar são inexistentes. Os computadores dos laboratórios são verdadeiras lástimas e há cadeiras laboratoriais que nem laboratório têm. Mas o prédio novo e a discussão do Projeto Político-Pedagógico que está acontecendo esta semana me dá novas esperanças. Minha única tristeza é que isso está acontecendo no período que me formo. Se tudo der certo, haverá milhares de novidades boas que não poderei aproveitar como graduanda - infelizmente. Vai ter disciplina de HQ, de games, de produção para TV (sem ser jornal)...

Mas voltando para minha viagem [digressão mode on].

Observei também que certas coisas estão presentes em todo canto. Algumas vezes falo do jeito que certas mulheres se vestem aqui. Logo na entrada do IACS me deparo com uma garota usando uma camiseta que nada tinha a ver com a saia jeans plissada, que nada tinha a ver com seu corpo, que nada tinha a ver com a grossa meia-calça preta que ela usava, finalizando com um par de chinelos Havaianas. Ó... até dava para ignorar o conjunto da meia-calça com a saia com a blusa com a mochila totalmente desconjuntados. Mas meia-calça com sandália de dedo não dá para ignorar. O namorado vinha falando que achava as mulheres lá mais arrumadas que aqui e, até aquele momento, eu tinha que concordar, pelo menos dentro do campus de Arquitetura e no self-service em que almoçávamos. Mas aquela combinação, pra mim, pesou. Cadê o Esquadrão da Moda quando precisamos dele?

O pior é que eu sei que tem gente que se veste mal propositalmente. É algum tipo de afirmação, protesto ou sei-lá-o-quê. Eu acho que dá para impôr nossa personalidade sem seguir moda e sem se vestir mal. Isso foi outra coisa que vi - e admirei - na viagem: gente que faz a roupa trabalhar para si ao invés de virar escravo da moda.

O mais interessante do dia foi a visita ao IACS. Os professores com quem conversei foram muito simpáticos e receptivos e ainda bem que eu tava com o namorado, porque tive uma crise de timidez e ele me ajudou a levar a conversa, para saber tudo o que eu precisava. Todos ali trabalhavam com Cinema Latino-Americano, que não é minha praia teórica, e me falaram que estão tentando desvincular o Cinema das outras áreas e criar um departamento próprio, pelo menos na pós-graduação. Isso seria vantajoso porque talvez aumentasse o número de bolsas para os estudantes e facilitaria na hora da seleção. Os projetos enviados para a seleção de mestrado de Cinema seriam avaliados pelos professores de Cinema, o mesmo valendo para Comunicação e Mediação e para Tecnologia da Informação e da Comunicação, as três principais áreas da pós-graduação em Comunicação da UFF.

Voltamos sob uma fina garoa, a fim de almoçar no campus da Praia Vermelha. Namorado vai pra aula, eu fico em casa estudando. Penso em sair para dar uma volta na praia com um amigo dele no fim da tarde, mas a chuva me faz desistir do convite.

No dia seguinte, eu iria ao Campus Gragoatá, aonde fica o Instituto de Letras, assistir aula de um dos professores da pós de Cinema, que trabalha numa das minhas aulas de interesse. Às 21h, no entanto, perdemos o acesso à internet. Ainda bem que agora tínhamos televisão. Tarde da noite, falta luz para completar o pacote. Para nós, era tudo só um incômodo que seria resolvido no dia seguinte. A chuva nos proporcionou o friozinho e o barulhinho agradável para dormirmos tranquilos.

Mal sabíamos que, no dia seguinte, o mundo desabaria. (Dia 7 | Dia 8)

*Imagem antiga do prédio via tout_doucement no Fotolog.
*Imagem nova do prédio via andressa1088 no Flickr.
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Dia 3 - Museus

12 de abr. de 2010

02.04.2010
Acordada desde as 8h da manhã, estava ansiosíssima para sair quando, às 14h, pusemos os pés na rua. Um belo dum sol brilhando sobre nossas cabeças e eu resolvi que tinha sido uma má idéia usar o coletinho que minha mãe fez. Mas o calor estava bem mais ameno do que em João Pessoa. O vento aqui é frio, nada de bafo quente.


Ilha de Boa Viagem
(eu acho)
Começamos nosso passeio indo até o que eu desconfio que seja a Ilha de Boa Viagem, que dá nome ao bairro. Eu queria muito subir, chegando no segundo terço, vimos que os portões estavam fechados. Mas tive uma bela visão do Rio e do MAC dali da ponte. Sim, renderam fotos. =)

De Niterói (março-abril 2010)


MAC
O Museu de Arte Contemporânea, obra de Oscar Niemeyer, é lindo por fora! Eu gosto do trabalho de Niemeyer, não vou mentir... Chegamos, entramos, pagamos ingresso (R$ 4 inteira, R$ 2 meia) e subimos para a parte da exposição que é... decepcionante. Um amigo já havia dito que eu não encontraria arte ali, mas resolvi arriscar. A curiosidade mórbida que matou vários gatos ao redor do mundo me impulsionou a arrastar um namorado a contra-gosto até o lindo prédio para ver se as obras lá expostas teriam salvação.
Anand, em sua visita ao MAC (anterior à minha viagem)
admirado com a "obra de arte". Bom, ele avisou...

Não tiveram. As esculturas eram alguns carimbos jogados. Os quadros eram páginas de jornal pintadas de branco, exceto pelas fotos coloridas. Algumas fotos eram muito boas, mas o crédito aí vai para o fotógrafo (que teve seu nome coberto pela tinta), não para o artista.

A vista do lugar, no entanto, é linda! Namorado acha que a da varanda dele é mais bonita. Eu não saberia dizer. Fiquei encantada com as duas, pra mim é tudo novidade e eu passaria mais um bom tempo olhando para tudo aquilo sem saber dizer "esta é melhor" ou "aquela é melhor". A beleza da vista não é mensurável, é apenas diferente, um outro ponto de vista.

De Niterói (março-abril 2010)

Descemos um andar. Fotografei um edifício que achei muito bonito, apesar dos arredores e resolvi dar uma olhada nos postais e outros suvenires. Lindas fotos do MAC dos mais diferentes ângulos em postais, marcadores de página, ímãs e diversas outras coisas que não identifiquei. Queria comprar montes de postais, mas acho que por R$ 5, eles estavam caros de mais. De volta pra ponte, farei meu próprio postal do MAC, muito melhor que esses, porque será a minha visão, minha fotografia.

De Niterói (março-abril 2010)

Museu Antônio Parreiras
Nem eu estava satisfeita com o MAC nem o namorado acreditava que eu o deixaria em paz, então decidimos ir até outro museu próximo, com exposição permanente do pintor naturalista. São duas salas no primeiro prédio, que foi a casa de Antônio Parreiras, que eu visitei sozinha, por causa do mofo.

Subindo uma ladeira e uma escada, dois novos prédios. Um, a casa da filha, na qual não há quadros expostos. O outro, o ateliê do artista e a casa do filho. São 3 andares, o último contendo obras de outros artistas que seguem a mesma linha. Um, que infelizmente esqueci o nome (tanto do quadro como do artista) apresenta duas mulheres num café, olhando o pôr do sol na Baía da Guanabara. Me encantou e o guia disse que encanta quase todo mundo que vai lá.

Nos andares inferiores deste prédio estão os quadros maiores. São todos muito impressionantes, imponentes, mas falta espaço para admirá-los com clareza. Não tem como apreender todo o quadro, por causa das dimensões da casa.

De Niterói (março-abril 2010)

Esta visita me deixou satisfeita, acabou com a bateria da câmera bem antes do que eu gostaria e acabou com minha aventura pela cidade. O próximo passo seria fazer feira, porque existia uma grande possibilidade de irmos para Teresópolis no dia seguinte e não tinha quase nada em casa. No entanto, a alergia nos pegou de jeito. Já estávamos achando que era gripe, devido aos sintomas.

Fomos para casa descansar, tomar remédio e ver se seríamos gente no dia seguinte ou duas criaturas febris, molengas e - no meu caso - reclamona.

Visitação
O site de turismo da cidade de Niterói contém informações sobre lugares e seus horários de visitação, preços, telefones e afins. O do MAC está desatualizado, listarei aqui as informações que tive na minha visita.
  1. MAC :: Como eu falei acima, o museu foi projetado por Oscar Niemeyer e localiza-se no Mirante de Boa Viagem (av. Litorânea, praia de Boa Viagem, s/n). Funciona todos os dias, das 10h às 18h, incluindo fins de semana e feriados. A entrada custa R$ 4 (meia-entrada R$2 para estudantes com carteira e, acho, alunos da rede pública, crianças com menos de sete anos e adultos com mais de 65). Às quartas-feiras, a entrada é gratuita (#fikdika, hein?) Telefone: (21) 2620.2400.
  2. Museu Antônio Parreiras :: Com exposição permanente do pintor, o prédio foi construído no final do século 19 e transformado em museu em 1941. Funciona das 10h às 17h de terça à sexta-feira e das 13h às 17h nos fins de semana e feriados. A entrada é gratuita e o uso de câmeras filmadoras e fotográficas, desde que sem flash, é permitido. Localiza-se na rua Tiradentes, 47, Ingá. Telefone: (21) 2717.1000. E-mail: map@funarj.rj.gov.br
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    Dia 8: Mais chuva, quedas de energia e o inevitável retorno

    8 de abr. de 2010

    07.04.2010
    Noite anterior
    Na noite do dia 6, por volta das 23h, faltou luz novamente. A chuva não era tão violenta quanto na noite anterior, mas com tudo já encharcado, imaginamos que fosse haver novos acidentes. O mar na Baía de Guanabara estava agitado, as ondas batiam contra as rochas. Se a calmíssima Baía estava assim, nem quero pensar em como estaria o resto.

    BF chamou 3 amigos para o apartamento, para ver o mundo se acabando e tocar violão. Ao menos estava frio e a eletricidade voltou logo no Rio de Janeiro. Apesar de serem poucas e distantes, as luzes providenciaram um mínimo de iluminação no apartamento no último andar. Eu, gênia, tomei o fato da noite anterior como evento isolado e não comprei velas. Como nenhum dos meninos tinha, então, pelo menos, a queda de energia não é algo frequente, eu que dei azar mesmo.

    A cantoria e as risadas seguiram noite adentro, mas sou fraca. Decidi ir me deitar a 1h da manhã, que já estava cochilando na cadeira. Logo fiquei sabendo que a energia elétrica retornou cerca de meia hora depois, interrompendo a festinha improvisada e levando cada um de volta para seu apartamento.

    Dia calmo

    Desenho animado na TV, BF dormindo até tarde, a garoa caindo lá fora, foi um dia sem grandes novidades. Vôo remarcado, taxista confirmado, cólica, reunião do BF com o orientador dele na UFF. Pensei em ir para o shopping, dar uma volta, mas cada vez que eu criava coragem, a chuva apertava. Desisti.


    Preparação

    Ajudei o BF com o jantar e, infelizmente, chegou a hora de arrumar a mala. Tchau BF, tchau Rio, tchau friozinho gostoso, tchau Niterói, tchau vista para a belíssima baía, tchau apartamento no último andar, praticamente sem inseto, com cama de casal, ar-condicionado e o melhor roommate do mundo. Sim, eu fiquei deprimida.

    Em primeiro lugar, estava achando ótima a brincadeira de "dona da casa". Ok, eu não fazia muito mais do que lavar os pratos (e queimar o arroz no último almoço, pardonez-moi!). Mas eu lavei algumas roupas, se tivéssemos ido ao supermercado, eu teria sido de alguma ajuda, porque pelo menos sei escolher as coisas. Não tinha irmão enchendo o saco. Eu estudei (só em 2 dias, mas estudei), tirando quando queria um livro pra ler e não tinha nenhum, eu gostei da brincadeira de estar num canto calmo, tranquilo, silencioso e geladinho...

    Senti que eu gostaria de sair de casa. Na verdade, eu sempre esperei ansiosamente por esse momento, mas vi que, talvez, esteja na hora. E que sim, eu sobreviveria.

    Partida

    21h40. O táxi já me espera na portaria. Despeço-me do BF, não tão longamente quanto gostaria. Descemos o elevador. Despeço-me do porteiro, dou um último abraço no BF, que coloca minha mala no carro, me contenho para não chorar e vou embora, olhando para a entrada do edifício e para o meu rapaz por trás do vidro fumê, doida para poder ficar indefinidamente. Triste porque não sei quando vai ser nosso próximo encontro. Achando que foi muito pouco tempo, que nem deu tempo de me acostumar.

    No táxi, o motorista me informa: novo desabamento, 50 casas foram soterradas num morro em Niterói. Ainda não se tinha noção de quantas foram as vítimas. Enquanto cruzávamos a ponte em direção ao Rio, vimos bombeiros, ambulâncias e policiais indo para Niterói.

    Vôo

    Tranquilo, sem surpresas no início. O inglês dos tripulantes é sofrível, mas isso não é novidade. Diversos assentos vazios. Ao meu lado, um rapaz, de Guaratinguetá, se não me engano, conversava com a moça na cadeira da janela. Eu ouvia um pedaço da conversa. Ele nunca foi a João Pessoa, mas sua mãe é de lá. Ela, não sei bem o que estava fazendo. Estavam se conhecendo. Tiro um cochilo breve, e as luzes do avião se acendem para o lanche e vejo que o casal passou para o reconhecimento fisiológico. Taí algo que eu nunca imaginaria: uma ficada num vôo de 3 horas com uma desconhecida na cadeira ao lado.

    Chegada

    O avião ficou 15 minutos rodando o aeroporto para poder pousar. Os pais do BF me pegaram no aeroporto, a volta foi tranquila. Logo vi que tinha deixado um monte de coisas em Niterói: as chaves de casa, o cadeado da academia, minha agenda...

    Depois de acordada, mais ou menos reinstalada, sofrendo com o calor pessoense (estava dormindo tão bem lá, aqui  fico virando de um lado pro outro e suando o tempo todo...), entrei em contato com o meu "niteroiense" e vi algumas notícias na TV.

    Mais Niterói

    O acidente que soterrou as 50 casas, que mencionei lá em cima, matou pelo menos 200 pessoas. Diferente do que pensávamos ontem à noite, parece que o lugar era um depósito de lixo e os gases acumulados sob a terra geraram uma explosão. Acumulada à chuva, terreno encharcado, ocupação irregular...

    Seguindo o twitter @LeiSecaRJ, ouvindo as rádios cariocas no www.radios.com.br e conversando com o BF no MSN, estou tendo informações atualizadas do que está acontecendo. Assaltos no Centro, no Shopping Plaza, arrastões, atentados... A polícia desconversa, fala que estão havendo protestos. Desconfio. Ela diz isso para evitar pânico.

    Repito o que os prefeitos do Rio de Janeiro e de Niterói falaram na terça-feira, quando foi decretado o estado de calaminade pública em Niterói: não saia de casa a não ser que haja necessidade. Violência, protesto ou irregularidades da natureza: quem é que vai querer estar lá para ver e correr a chance de ser incluído na coisa toda?

    (Ok, os jornalistas e aqueles que prestam socorro à população, fora isso ninguém tem nem pra quê ficar lá. Aproveita o climinha bom, deixa o rádio ligado, pega um livro e se estica no sofá. Era o que eu queria estar fazendo.)

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    Dia 7 - Caos?

    6 de abr. de 2010

    06.04.2010
    Adiantando um pouco o diário de viagem, vou falar logo da terça-feira, dia das enchentes, deslizamentos, alagamentos, congestionamentos e outros acidentes causados pelas chuvas.

    Não vou me estender pelo que já saiu em todos os jornais. Morreram quase 100 pessoas no estado, Niterói foi a cidade mais atingidas, com 46 mortes confirmadas até a noite do dia 6 e um monte de coisas deixaram de ser noticiadas para mostrar apenas imagens trágicas dos deslizamentos de morros e mortes. As ruas virando rios não foi o único fato preocupante e nem só de solidariedade é feita a população.

    Enquanto, de um lado, tinha um monte de gente ajudando a remover escombros e tirar pessoas de baixo dos destroços, quem ficou preso em algum congestionamento sofreu arrastão. A informação que tenho é de arrastões na cidade do Rio e assaltos em certos pontos de Niterói (o fato de ser “perto do Sendas” não é muito significante para mim nem para meus leitores de fora de Niterói, sei que fica a pouco tempo de caminhada do edifício aonde estou).

    O dia não começou bem. Desde as 21h do dia 5 que não tinha internet. À meia-noite, acabou a luz em todo canto que pudemos ver daqui do apartamento. Por volta de uma hora da manhã, os postes das ruas e algumas salas do prédio da graduação em Computação da UFF, que ainda estavam acesos, também se apagaram.

    Manhã
    Acordei às 8h, pretendia assistir à aula do professor João Luiz Vieira, no campus de Gragoatá, mas não tinha luz para olhar o mapa e a chuva ainda caía implacável. Dei uns 15 minutos, pensando se valia a pena. Não consegui lembrar o caminho para o campus, decidi voltar a dormir e mandar um e-mail para o professor, pedindo desculpas por não ter comparecido.

    Mais tarde, levanto novamente. Não fizemos compras no dia anterior por causa da chuva, então, para mim, o café da manhã estava comprometidíssimo. Sem energia, não dava para usar a cafeteira, teria que improvisar. Para minha surpresa, não havia fósforo. O fogão, por ser elétrico, também estava inutilizado. Estressada e com dor de cabeça, decidi enfrentar a garoa e comprar um café. Aproveitaria para comprar pão, fósforos, mel e um jornal, era impensável continuar sem saber o que estava acontecendo na cidade.

    Encontrei um bar/lanchonete/boteco aberto na cidade deserta, com quase todos os estabelecimentos fechados por causa da falta de energia elétrica. Pedi o café, deixei de lado a frescura de querer xícara, me daria a esse luxo depois e assuntei com o pessoal sobre o que estava acontecendo. Os donos do lugar moram em São Gonçalo, tentaram voltar para lá ontem de noite e não conseguiram, o temporal alagou todas as ruas. Às 9h da manhã, voltaram para a lanchonete, em Ingá, após passar a noite no carro. A dona, muito simpática, me falou sobre uma senhorinha¹ que é a figura da região (me lembrou um pouco do velho do doce de João Pessoa²).

    Tomei o café, descobri que havia uma mercearia aberta mais para frente, além do supermercado perto do Sendas. Parei na mercearia. Faltava o mel, mas tinha pão, fósforo e uma banca de revista ao lado. Pensei em ir até o supermercado, mas desisti. A chuva ameaçava engrossar. As poucas pessoas que estavam nas ruas se apressavam em voltar para casa. Tratei de voltar também.

    A chuva ainda estava fina, mas o vento estava mais forte. Passando por uma ruazinha mais baixa, aonde fica o prédio de Arquitetura e da pós-graduação de Computação, ouço alguém falando para o amigo andar mais rápido, que dali a pouco alagaria tudo. Já estava perto de casa, mas o alerta piscou na minha mente. Saber das notícias era uma coisa, ser a notícia não é tão atraente. As salas de aula da UFF estavam acesas, bom sinal. O bandejão e o restaurante self-service de lá, aonde almoçamos, no entanto, estavam fechados. Teríamos que improvisar, foi bom eu ter comprado fósforos.

    Notícias
    O jornal não trouxe nenhuma informação relevante. Falou das chuvas, do alagamento em São Gonçalo e mais nada. Fiquei meio frustrada, afinal Niterói estava toda fechada, não parecia haver energia elétrica em canto algum e não dizia o motivo. Também não tinha nada sobre o Rio no Fluminense, mas no Extra, da capital, que olhei na banca, também não tinha nada. Não tinha outras opções, então trouxe o da cidade, achando que encontraria algo mais do que um quarto de página falando sobre o que aconteceu em Niterói.

    Bateu cólica. Liguei para a farmácia e desci para esperar, afinal os interfones não funcionavam. Passei mais de uma hora esperando, o que me deu tempo de conversar bastante com o porteiro, que tinha andado por aí, então provavelmente sabia de algo. Ele logo me informou que houve deslizamentos, gente morrendo soterrada, árvores caídas nos fios da rede elétrica e falta de luz em praticamente toda a cidade. Somente nos dois shoppings e no Centro havia energia elétrica.

    Soube também que estava difícil de ir para o Rio, quase não tinha barca saindo e a ponte não era segura. As pessoas que chegavam ao prédio informavam que a luz estava voltando aos poucos. Por volta das 13h, a energia voltou, meu remédio para cólica não chegou e subi para almoçar.

    Ilhada
    Passei o resto do dia em casa, isolada do mundo. A internet não voltou e meu namorado foi a uma reunião na Universidade, onde, com os amigos, viu que o Rio de Janeiro como um todo estava em estado catastrófico e me ligou, pedindo para adiar o meu vôo para o dia seguinte.

    O aeroporto Santos Dumont estava desviando tudo o que podia para o Galeão, consequentemente os vôos estavam atrasando, diversos estavam sendo cancelados e, para evitar tumulto, sugeriu que eu adiasse a partida. A companhia aérea, felizmente, estava remarcando todos os vôos sem cobrar taxas.

    Nos jornais da TV, tive conhecimento do tamanho do estrago que tomou conta do Rio. Com o telefonema do tio do meu namorado, soube dos problemas não noticiados. Mais tarde, vi que podia, sim, ter partido no dia programado, mas namorado insistiu que eu pegaria muito tumulto (e eu fiquei com medo de ser vítima de arrastão, confesso) e amanhã seria mais calmo. O tio insiste para que eu fique até domingo, para ir de novo à Teresópolis. A tentação é grande (enorme!), mas não tenho roupa e tenho afazeres. Uma pena.

    Pormenores
    No mais, tivemos um dia calmo, não fomos notícia, vimos pouca coisa com o que nos preocuparmos, exceto o jantar. Namorado fez um bacalhau ótimo, não fosse pelo fato de ter esquecido de dessalgar o peixe. Meu remédio para cólicas chegou com 3 horas de atraso. Fui paquerada por um guri de uns 16 anos no caminho para a mercearia. Quase tive uma crise, porque não tenho um livro de diversão para ler e a abstinência é grande. Adoro quadrinhos, mas os heróis da Marvel, que meu namorado acompanha fielmente, não satisfazem o meu vício. Acredito que o professor vá entender por que eu faltei à aula.

    ¹ Contarei essa história depois.
    ² Estou devendo essa história a mim mesma à muito tempo.
    * Continuo sem internet! O post estava preparado no Word e um modem 3G possibilitou que eu postasse hoje.


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    Dia 2: Bela vista, mas não basta

    3 de abr. de 2010


    01.04.2010
    Acordamos tarde, fomos tomar café mais tarde ainda. Eu radiante: café da manhã feito pelo namorado, vista da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar da varanda, climinha nublado, mas com luminosidade, não exatamente frio, mas confortável. O que mais eu podia querer da minha vida?!


    De Niterói (março-abril 2010)

    Sair de casa. Foi isso que ficou faltando. Só ter a vista não é o suficiente, faltou sair do apartamento e ver mais de perto ou - ao menos - dar uma volta no quarteirão.

    Em São Paulo eu estava mais aventureira, talvez por ter ido sozinha e não ter que convencer uma criatura extremamente caseira de que eu preciso dar uma volta, nem que seja no quarteirão. Nunca estive aqui antes, uma volta num quarteirão desconhecido é novidade para mim e conta como passeio.

    Frustrei, claro. Tirei umas fotos muito bonitas da vista, logo após o pôr do sol, mas fiquei com a sensação de ter jogado um dia fora. Ameacei sair sozinha no dia seguinte, e minha resposta foi uma cara feia. Ele ficou de me levar para passear, desde que fosse perto, em algum lugar que não precisasse pegar ônibus.

    De Niterói (março-abril 2010)


    De Niterói (março-abril 2010)

    Acho que isso limita muito a diversão. Até porque não está fazendo sol, o clima está agradável e, saindo a passeio, não precisamos pegar ônibus em horário de pico. Não sou grande fã de pegar ônibus, no entanto isso faz parte de conhecer uma cidade e acho que é necessário.

    Se eu for embora sem conhecer o Rio, vou ter um treco!
    O outro dia:


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    Dia 1: Rio-Niterói

    2 de abr. de 2010

    31.03.2010
    O Rio de Janeiro me recebeu reticente, nublado. Enquanto o simpático Washington me mostrava aonde deveriam estar o Cristo Redentor, o Corcovado e outras coisas por trás das nuvens, eu olhava em volta do banco traseiro do táxi para coisas mais próximas, para não me frustrar sem ver os morros silhuetando o céu carioca e me frustrei: vi diversas paisagens que dariam ótimas fotografias, mas sou uma jornalista muito fuleira. A máquina estava na mala e as pilhas, descarregadas.

    No solo, o céu estava fechado, ainda que tenha aberto mais tarde - um pouco e aos poucos. No avião, no entanto, a visibilidade era ótima e perdi a chance de fotografar diversas ilhas e formações rochosas que pontilhavam o mar.

    Depois de uma breve garoa, as nuvens se espalharam um pouco e pude ver, além de diversos morros com favelas, outros tantos sem, a sombra do Cristo, o Corcovado e o que seria meu companheiro pelos próximos dias, o Pão de Açúcar.

    Ponte atravessada, Washington me mostrava coisas de Niterói. Pedacinho do Centro, outro tanto dos bairros, o futuro Museu do Cinema, o lugar de onde saem as balsas e catamarãs para o Rio... e eu fiquei com a impressão de que aqui é uma cidade pequena disfarçada de cidade grande. Vi coisas - prédios, botecos, restaurantes, teatros - que vejo normalmente em cidades maiores. Coisas que não vejo em João Pessoa. Ao mesmo tempo tem coisas que são típicas de cidade pequena. Aqui é realmente mais calmo que a capital paraibana. Vejo as pessoas andando tranquilamente na rua de madrugada. Em contrapartida, tem enormes desvantagens: no bairro em que estamos não há um caixa eletrônico 24h e, até onde eu sei, não há uma loja dos Correios por perto. Coisas básicas, mas que fazem falta.

    Cheguei perto da hora do almoço e meu namorado me levou para almoçar num restaurante da Universidade Federal Fluminense, no campus em que ele estuda. Aqui não é tudo reunido num só canto. Computação fica aqui do lado, o Departamento de Cinema fica a uns 10 minutos de caminhada, outras coisas são do outro lado da cidade... Aonde vou, vejo um pedacinho da UFF.

    O restaurante é pequeno, mas bem equipado. Ar-condicionado, ainda que as portas estivessem abertas, uma lanchonete e, ao lado, as diversas opções de comida. Muita, muita coisa e muita coisa boa! Opções variadas de salada, arroz branco e integral, carne vermelha, branca, de porco, de peixe, coração de galinha, macarrão, feijão, umas gororobas esquisitas, farofas, molhos... Botou no chinelo muito restaurante por quilo que eu já fui, não só pela variedade, mas principalmente pela qualidade da comida.

    À noite, o tio do meu namorado apareceu, para nos levar para conhecer a família e jantar. Adorei o tio e a tia e o filho deles, de 3 anos, é uma graça! Loucamente apaixonado pelo primo, estuda numa escola bilingue e veio perguntar meu nome em inglês. Puxou ao primo num outro detalhe: a cada vez que oferecíamos para sair de casa, ele se recusava e dizia que não, que o restaurante deveria levar comida para nós. Criatura tão caseira assim, só meu namorado mesmo.

    Cedemos à vontade do pequeno e pedimos comida, num japonês divino que eu queria poder colocar nas costas e levar para casa. (Ok, tem o Tanabata, que não deixa nada a desejar e é perto da minha casa...) O tio abriu um vinho e ficamos no jantar + sorvete + conversa. No caminho, tanto na ida quanto na volta, passamos pela praia e deu para ver o MAC* belamente iluminado e os morros todos acesos. De dia, ficam feios com os barracos, mas de noite parecem árvores de natal flutuando na Baía de Guanabara.


    De Niterói (março-abril 2010)


    *Museu de Arte Contemporânea, obra de Oscar Niemeyer.


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