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By Ferramentas Blog

Perfect Moment for Suicide

30 de set de 2009



Voltei para casa dirigindo perigosamente rápido. Danem-se os outros carros, os outros motoristas. Nenhum deles está sendo estrangulado por dentro pelas próprias vísceras. Ora, a maior parte do trânsito é composta de homens, eles não tem nem ideia do tipo de dor que me acomete. Casa! Casa! Casa!

Empurro um comprimido de ácido mefenâmico para dentro e tento respirar, enquanto ligo o computador, atrás de algo que me distraia e me faça esquecer do órgão se retorcendo debaixo da almofada quente, que deveria aliviar a situação, mas só me deixa mais tensa.

O passarinho preto e amarelo salta aos meus olhos com a fatídica pergunta: O que você está fazendo? Maldita hora que instalei esse programinha. "Morrendo de dor, seu idiota!", tenho vontade de gritar de volta para ele - para o mundo - no auge do meu desequilíbrio mental, antes de tacar o computador no chão.

Ele é autista e incansável. Não se importa com quem responde, apenas pergunta indiscriminadamente e de diversas formas sobre a vida alheia. Talvez quem esteja do outro lado se importe, mas nada garante que leia ou que possa fazer algo a respeito. Continuo dialogando com meu recém-elegido algoz, que quer saber em que estou pensando.

Estou pensando em porque eu passo por isso todo mês e outras pessoas não. Porque tem mulher que nem sabe o que é TPM. Porque tem mulher que sobrevive de hamburguer e batata frita e é magra, tem a pele perfeita e eu não vejo se retorcendo pelos cantos a procura da droga perfeita para aliviá-la. E em porque não existe a droga perfeita. Estou pensando porque o espelho aponta para mim e ri da minha cara como se eu tivesse engordado uns 20 Kg.

Estou pensando que alguém me disse uma vez que eu não podia deixar meus estresses profissonais/acadêmicos interferirem nos meus relacionamentos pessoais e vice-versa. Imagino, então, que meus estresses físicos e psicológicos, meus momentos de esquizofrenia sem cabimento, também não devam interferir. E por que me disseram isso, se ninguém é assim? Se ninguém consegue? Por que eu tenho que ser contida, controlada, sã, se os outros podem se estressar e me estressar junto, se sobrecarregar e ter mal-humor e eu tenho que segurar as pontas? Por que eu passo a semana achando que sobrou tudo pra mim? Será o tal momento esquizofrênico e depois passa? Será que se eu gritar alguém escuta?


Antes que eu possa concatenar as ideias, o pássaro já se inquietou e me perguntou o que estou lendo. Estou lendo a porra da bula do remédio, me preparando para os efeitos colaterais que terei que relevar. Estou lendo o cursor piscando na tela branca. Estou lendo as 13 páginas que podem definir os próximos anos da minha vida. Não, não estou lendo nada, porque eu vejo as letras formando palavras e as palavras formando frases e nenhuma delas faz sentido.

O gorgeio já mudou e eu nem vi. A pergunta, na verdade, é sobre o que eu quero da vida. O que vou fazer hoje?

Hoje? Hoje eu vou morrer e vou nascer homem. Hoje eu vou matar um homem. Talvez dois. E meio. Vou matar uma mulher também. Não, eu vou matar a fome. Às vezes a barriga dói, a cólica aumenta, e é só fome. Mas pode ser sede também. Ou vontade de fazer xixi. Talvez seja o calor que me irrita, ou o frio que me incomoda. Tudo dói do mesmo jeito, como vou saber?!

A cabeça também dói. O pássaro pia, pia, faz barulho, balança-se todo. Eu não piei nada. Não me expus. Não gritei. Não disse que estava com dor, que estava triste, que estava louca ou que não queria nada com a vida. Outros piam de volta para o pássaro e eu leio o que dizem, mas não compreendo bem.

Na verdade, no momento, não compreendo nada muito bem... Tá tudo meio lento. A bula dizia que podia causar sonolência e que não podia operar máquinas pesadas. Acho que também não posso dirigir, mas já não lembro.

Me deito, fecho os olhos e deixo a luz se distanciar, o barulho se afastar, a loucura se dissolver. Antes de adormecer, tenho um lampejo de lucidez. Vai passar. A insegurança, a insanidade, a tortura auto-imposta vão se diluir e, assim como as dores, vão passar.

******

Tá, eu não gostei do final, mas dá um desconto. Não estou tão mal assim, as cólicas já deixaram de ser excruciantes, estão só beirando o insuportável e eu não desejei matar ninguém. Neste mês (hehehe!). Mas estou de TPM (PMS, em inglês - explicando o título e as fotos) e com o raciocínio ligeiramente prejudicado.


Em breve voltamos com a programação anormal volto com o resto do meu diário de viagem e uns textos brincando com a mitologia greco-romana.

Agora eu vou dormir, que o remédio que tomei realmente dá sono e eu fico meio lesa e sem noção de espaço, então dirigir está fora de cogitação. Se o mundo não for capaz de esperar, azar o dele, que eu é que não arriscarei o meu lindo e gordo pescocinho tepeêmico hoje.






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São Paulo - Dia 2: Lily Allen

27 de set de 2009

Dia 1
Dia 2, parte 1

16.09.2009
O momento que todos esperavam. E depois disso, aposto que muitos largarão o Excentricidades de lado, né? Coisa feia... Eu deveria deixar isso para o final da narrativa! xD

Pré
No dia anterior o relógio/termômetro luminoso do Itaú, visível da janela do apartamento, marcada 19°C e estava bem confortável. Não estava vestindo casaco nem nada. Como, então, na noite do show, faziam 21°C e eu estava batendo o queixo? O mostrador estava errado! Eu tinha C-E-R-T-E-Z-A!

Mas, errado ou não, eu vesti uma blusa de manga e um casaco de lã com bolsos, bem quentinho e confortável. E - eu descobri depois - eu poderia ter levado nele a câmera fotográfica com toda a segurança do mundo. Mas a câmera não é minha, então para quê arriscar, não é?

O show
Cheguei às 22h05. Entrei. Área VIP lotada. Pista bem livre. Ainda bem! Não sou fã de tumulto. Olhei em volta, encontrei a mesa de som e lembrei de um conselho que ouvi de alguém (do namorado? de um dos integrantes dos Old Boys? ou de outra banda?) que na frente da mesa de som era o melhor lugar para ficar, pois o técnico iria adequar o som de acordo com o que ele estivesse ouvindo. Então lá eu fiquei. De frente para o meio do palco, com apenas 3 pessoas na minha frente, um degrau abaixo, e morrendo de pena do pessoal da área VIP. Quem estava lá no meio não conseguiria ver quase nada.

22h10h. Apagam-se as luzes e ilumina-se o palco. Por trás da cortina branca, podemos ver a silhueta da banda e logo ouvimos a introdução de "Everyone's At It", com a bateria um pouco empolgada, mas que na segunda ou terceira música já estava no volume certo. Uma das primeiras coisas que noto é a maquiagem à la Lady GaGa na área dos olhos, com as cores do Brasil.




De São Paulo


Em pouco tempo, o que eu achava ser um macaquito cinza sem graça se revela um conjuntinho. Ela tira a parte de cima, ficando com uma regata preta de costas nuas enquanto fuma o seu cigarrinho eletrônico (eu sempre me decepciono quando os artistas começam a fumar, mesmo que seja cigarro "de mentira").

O show teve um toque mais pesado do que os CDs. Seja o sintetizador, seja a maquininha estranha com a qual ela brincava, as músicas estavam mais para eletrônico do que o ska ou reggae habitual.

Lily conversou bastante com o público, não cansou de afirmar que éramos a melhor platéia que ela tinha tido. Eu dizia que era coisa de artista e que todo show ela devia dizer isso. Depois de chegar em casa vi a afirmação em seu twitter (@lilyroseallen) e, no dia seguinte, nas matérias da internet. Como não vi o mesmo sobre o show no Rio de Janeiro, resolvi acreditar. E é uma coisa tão pequena, mas me senti um pouco orgulhosa por ter sido parte do público. Afinal, eu gritei e cantei e dancei como todos os outros.


De São Paulo
Área VIP, próxima ao palco, mostrando porquê os artistas gostam do público brasileiro. ;)

Gostei demais do show, apesar do batom roxo horrível que ela estava usando. Foi algo bem descontraído. O fato de não terem grandes peripécias visuais deu a impressão dela estar mais próxima do público. Menos estrela e mais cantora, mais humana. Tanto que ela até pediu desculpas porque da última vez que veio para o Brasil, se apresentou bêbada.

O fato de estar sóbria não a impediu de errar o final de "22" , mas ela simplesmente riu e continou, com o público acompanhando errado mesmo.

O show foi curto, apenas 1h20, e caro (mas ganhei de presente! RÁ!), mas valeu a pena.

Pós
Enquanto esperava a Camilla pegar o carro, acabei fazendo amizade com um dos funcionários da casa. Um bombeiro paulista que se surpreendeu porque vieram meninas de todos os cantos ver o show, inclusive um fã-clube chileno, que acompanhava a cantora pela América do Sul. Quando soube que eu era de João Pessoa, se surpreendeu, porque era a pessoa do lugar mais distante do Brasil com quem tinha falado naquela noite. Reclamei que o show foi curto e ele falou que era assim mesmo, nenhum artista internacional fazia show com mais de 1h20. Uma pena.

Estava em casa antes da meia-noite, depois de cruzar a Marginal vazia e com o passeio do dia seguinte já marcado. Fui dormir feliz, ainda que:

a. Quisesse que meu namorado estivesse ali.
b. Quisesse muito que @kitinha e @denisecarneiro tivessem ido comigo, elas iriam se acabar!
c. Me tocasse de que houve shows dos Old Boys que me diverti mais. Mas, talvez, seja porque eu sempre volto pra casa com um dos integrantes. ;D

Veja alguns vídeos do show, coletados no YouTube na manhã do dia 17/09:







Como não podia deixar de ser, a melhor versão de "Womanizer" ever! Nem gostava da música, mas no show ficou muito legal:



Desculpem-me se o post ficou muito pesado. E eu nem coloquei todos os vídeos que gostaria. Mas, para que perdeu e quer ver, o show será exibido no canal Multishow no dia 28, às 23h e ficará disponível no site http://multishow.globo.com/ por 7 dias a partir do dia 29. Eu devia ter passado essa informação de primeira mão, porque conversei um pouco com o câmera, que estava do meu lado, mas estava sem celular para twitar e depois esqueci. =x




De São Paulo


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São Paulo - Dia 2: Andanças

26 de set de 2009

Dia 1

16.09.2009
Acordar "cedo" e ter café pronto, latas e mais latas da torrada preferida... Quer coisa melhor do que estar na casa da avó?


J. Cachoeira



Levantei relativamente cedo, 8h30, para bater perna na João Cachoeira antes de sair com minha prima de tarde.
Para quem não sabe, a João Cachoeira é o shopping a céu aberto de São Paulo. E é muito bonitinha! Tem tudo quanto é tipo de loja, vários cafés, restaurantes e afins.



As calçadas são limpas, niveladas, possuem pequenos jardins e vários bancos para os momentos de descanso. Alguns possuem tomadas no chão. Óbvio que, no meu vício por internet, pensei logo se as pessoas levariam o notebook para passear e se haveria rede de internet sem fio por ali.



Eu normalmente não sou de reparar nas pessoas ao meu redor, mas, durante todo o trajeto, não havia como não reparar. Acho que só não tinha gente violeta andando na rua porque não existe, fora isso lá estavam todas as variáveis possíveis. Achei isso fascinante de certa forma. Em João Pessoa são poucas as pessoas brancas feito papel sulfite (sim, bem mais do que eu) ou negras como o teclado deste notebook, a não ser os intercambistas da UFPB. Como não estava muito cheio, era bem mais fácil de olhar e analisar os indivíduos. Bem diferente da 25 de março, onde todo mundo é uma massa inidentificável.

Mas meu lado escritora estava em baixa. Não estava tão a fim assim de analisar indivíduos. A consumista em mim falava mais alto e tudo o que eu analisei foram vitrines. Várias! Diversas! De sapatos, roupas, pontas de estoque, grifes, frescurinhas para banho, cosméticos e afins.

Depois de 3h de bateção de perna, 2 pares de sapatos, blusinhas, vestidinho e zero calça jeans - meu objetivo primordial de qualquer visita a qualquer loja há meses - volto para o apartamento para encontrar minha prima lá, conversando com minha avó e Iara, me esperando para o almoço.

Camilla
Nem preciso dizer que o almoço foi granny-made, especialmente para nós, e que nos entendemos logo de cara. Me dei muito bem com a Camilla! Formada em Ed. Física e com um milhão de atividades, ela é uma das pessoas mais alegres e "pra cima" que já conheci! E linda, né? Mas isso não vem ao caso, porque vocês podem pensar que é babação (e não é).

Depois de histórias de infância trocadas, risadas compartilhadas e roupa mudada, definimos o itinerário da tarde. Tinha que ser algo curto. Ela daria aula mais tarde e, de noite, eu tinha um show para ir.

Liberdade


O bairro japonês é lindo e feio ao mesmo tempo. Os postes parecem lanternas japonesas, mas a fachada da maioria das lojas não é bonita e a quantidade de carros encostados é enorme. Nas áreas que andamos, não havia muitas árvores. Isso tudo torna as ruas cinzentas, ainda que os postes vermelhos animem o visual.


Dentro das lojas, no entanto, a situação é outra, principalmente as de quinquilharias. Tudo colorido, variado, fofinho e encantador, com cara de "me leve para casa". Não passei na parte de livrarias e papelarias, mas encontrei alguns papéis de origami numa das lojas de quinquilharia, a última que visitei.

Gostaria de ter passeado mais pelas incontáveis lojas de artigos japoneses, cosméticos, maquiagens e coisinhas estranhas que você só encontra ali ou em outras comunidades japonesas, no entanto eu e a Mi tínhamos compromisso. Mas tudo bem. Ainda tinha mais alguns dias na Cidade da Garoa.

Procuramos um ônibus que servisse para as duas e voltamos. A visita ao bairro me deu mais vontade de conhecer o Japão. A primeira saída com minha prima me deixou contente que ela seria minha companhia constante dali pra frente.



Nos fins de semana, sempre tem feira no bairro. Eu não fui desta vez, mas estive lá em 2006. Consiste basicamente de muita, muita gente nas ruas, barracas com comidas típicas orientas (não só japonesa, mas chinesa e coreana, entre outras), decoração e uma grande dificuldade para conseguir comer alguma coisa. Dispensei desta vez, mas quando for passar mais tempo em S. Paulo, perderei uma tardezinha de sábado ali.

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São Paulo - Dia 1: A Viagem

25 de set de 2009

15.09.2009
Poucas coisas sãos capazes de me fazer levantar de madrugada, mas a ansiedade causada por uma viagem - a primeira viagem sozinha ever - garante que eu me levante alguns segundos antes do despertador. Não importa se dormi só 3 horas. O roteirinho escrito à mão com instruções para me vestir, comer algo e pegar o número do e-ticket são suficientes para me fazer funcionar, ainda que não consiga raciocinar direito.

Não há muito o que dizer da viagem até o aeroporto ou a espera do avião. Foi tudo organizado, funcional e rápido. Pouco depois de despachar as malas, já tinha me despedido do meu pai e esperava na sala de embarque. Sentada, que não tem para quê ficar em pé na fila quando o portão de embarque ainda nem está aberto.

No avião
Parece que as poltronas estão ainda mais apertadas. Mesmo com meus medianos 165cm, acho que a distância para a poltrona da frente é uma ofensa. Ao meu lado, a garota que descerá em Recife para pegar a conexão para Fortaleza assusta-se com a turbulência e me pergunta se é normal. Digo-lhe que relaxe. É pior do que um ligeirinho em estrada de barro e sim, é normal. Me deixo levar pelas nuvens fofinhas lá fora e lembro-me de quando era criança. Sempre quis brincar nas nuvens fofinhas. Ou comê-las.



De São Paulo

O aeroporto de Brasília é uma confusão, mas falarei sobre isso depois.

A chegada em S. Paulo foi tranquila. A poltrona central veio desocupada, o que diminuiu o desconforto. Sobrevivi às cadeiras apertadas, aos enjôos que viagens me causam e, lá fora, o clima era frio, agradável e convidativo.


De São Paulo

Parque do Ibirapuera, Obelisco, Monumento às Bandeiras, seguimos em direção ao Jardins e eu me sentia mais numa cidade de veraneio do que em qualquer praia de J. Pessoa. E, normalmente é o contrário. Qualquer paulista normal quer fugir de lá, especialmente nas férias. Esta louca quer voltar. Vai entender...

Eu vou, eu vou, pra casa da vovó eu vou
Cheguei, descarreguei e me espalhei. No pequeno apartamento de dois quartos, o único lugar que escapou da minha bagunça foi o quarto da minha avó. Após os cumprimentos e chipchats, descobri que ia ficar com a cama de casal:

- Nossa! Eu tô podendo, hein? (XD)

Minha avó e sua sobrinha se acabaram de rir e vovó explicou que, por motivos de saúde, precisou mudar-se para uma cama mais alta. E, tendo a cama de solteiro com as características necessárias, resolveu deixar a de casal para as visitas: normalmente meus pais ou meus tios.

Primeira aventura
Desbravando a grande e desconhecida cidade pela primeira vez, na prática (já que, em todas as outras vezes eu simplesmente fui guiada por um "adulto responsável", a.k.a. minha mãe - ou meu pai), acompanhei minha avó num passeio de ônibus até o supermercado.

No caminho, fui logo olhando as lojas e cafés bonitinhos pelo caminho. Descobri que dava para ir à pé. Estava decidido o meu itinerário no dia seguinte.

Meu primeiro dia foi de ligações para minhas primas na cidade, ida ao supermercado com minha avó, acompanhada de histórias de como aquele pedaço da cidade era há 30 anos e tentativas de fazer a internet funcionar.

Pretty dull, actually. Mas acabou que eu achei bem interessante.

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Introdução

Estou em débito com todo mundo. Passei uma semana fora, a passeio, e, quando volto, tudo o que digo é: "Foi bom.", "Foi divertido.", "Gostei, sim". Mas isso se deve a uma preguiça felomenal que se abateu sobre mim. E a uma dor de garganta adquirida no show da Lily Allen.

Mas, para me redimir (e melhor guardar as recordações) decidi fazer um "diário de viagem atrasado" aqui no blog. Versão editada, claro, porque sabe como é: Dori tem uma memória MUITO melhor que a minha.




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Da Shoes

12 de set de 2009

Ela estava sentada na praça de alimentação do shopping, acompanhada de duas amigas, e com uma tortinha de chocolate à sua frente, da qual comera apenas duas colheradas e constatou que foram os três reais mais mal pagos numa sobremesa. A massa não tinha gosto e parecia ser de três dias atrás. O recheio tinha gosto. Um gosto azedo muito, muito fraco. Inadmissível, em qualquer contexto, para uma tortinha de chocolate. Deveria ser forte e ou doce ou amargo. Por cima, havia o granulado, que deveria salvar o doce, mas era só um montinho marrom e insípido. Como é que eles conseguiram comprar granulado sem gosto de nada?!

As mulheres conversavam animadamente sobre a loucura, paranóia e esquisofrenia alheia e riam como crianças. As três tinham 20 e poucos anos, vida encaminhada e uma tarde livre para colocarem os assuntos em dia.

Numa mesa a poucos metros de distância, dois homens levavam suas vidas. Um deles olhava para a mesa das garotas com alguma freqüência. Passado algum tempo, ele levantou e foi embora. Retornou algum tempo depois e, com uma caixa nas mãos, pediu licença e direcionou a fala para a garota da tortinha insípida de chocolate.

- Com licença... É que eu sou do interior...

A caixa continha o símbolo de uma marca de calçados. O homem devia estar beirando os 50 anos, usava uma camisa de baixa qualidade e, pelo início do discurso, rosto castigado e barba por fazer, as três pensaram que ele queria vender o sapato.

- ... e queria saber quanto a senhora calça.

O pensamento continuava o mesmo. A mulher com a torta já pensava numa forma delicada porém decidida de dizer que não iria comprar. No entanto, a pergunta não fazia sentido.

- Veja se é o seu número, por favor.

Ele abriu a caixa e ela olhou, balbuciou qualquer coisa que podia ser entendido como "sim", "é" ou "não" e olhou para ele e para as amigas com a expressão de confusão estampada na cara.

- É porque eu achei a senhora muito bonita e comprei esse sapato para a senhora.

"Ok.", ela pensou, "Isso não faz sentido. Não faz o menor sentido." A única coisa que ela conseguiu expressar foi um "Hã?"

- É que eu estava observando a senhora da outra mesa e a senhora é muito bonita. Eu fiquei admirado e comprei esse sapato. Eu queria que a senhora aceitasse.

Ela estava admirada, envergonhada, intrigada, surpresa, assustada e queria se enfiar embaixo da mesa, abrir um buraco, se enfiar dentro e sair correndo. Tudo ao mesmo tempo.

- Olha, me desculpa, muito obrigada, mas eu não posso aceitar.

As amigas estavam, provavelmente, tão ou mais surpresas e intrigadas. Suas feições mostravam o riso contido e a confusão.

- Por favor, aceite! Eu não quero nada da senhora, mas estava te observando e achei a senhora muito bonita!

- Sinto muito, mas eu não posso aceitar. Obrigada, mas eu não posso!

- Moço, ela é praticamente noiva! - Exclamou a amiga que estava sentada na frente, na tentativa de fazê-lo desistir.

- Praticamente não, eu sou! - Ela não era, mas pensando bem, era como se fosse. E, naquele momento, diria até que era casada se isso fizesse o sujeito desistir.

- O seu noivo pode até me matar, mas por favor, aceite as sandálias. Eu comprei comprando na senhora.

Ela havia achado que ele poderia estar sob efeito de drogas ou ter algum problema mental, por causa do jeito embargado como falava.

- Por favor, pelo menos prove, veja se é seu número, veja se cabe!

Ela pegou uma das sandálias, retirou a que estava calçando e provou, com a esperança de que, assim, o homem se desse por satisfeito e fosse embora, levando com ele as sandálias. Enquanto trocava, ele a observava. Um pensamento correu sua cabeça: "Será que ele é um podólatra?" Isso a assustou, mas logo o pensamento foi afastado: "Nah, deve ser só maluco mesmo." Ela não gostava da idéia de um estranho observando seus pés.

A sandália entrou, mas não fechava. Ela fingiu que sim, só para se ver logo livre. Calçou de volta a sandália original e colocou o "presente" de volta na caixa, que fechou e empurrou de volta para o estranho, enquanto ele expressava sua felicidade por ter "acertado" o número, ela continuou tentando lhe esplicar que não poderia aceitar, que ele deveria devolver para a loja.

No entanto, ele era muito insistente e, se antes havia mantido uma distância respeitável, agora se aproximava dela por cima da mesa. Continuava chamando-a de senhora, falando de sua beleza e de como tinha que aceitar o sapato. Esperando que ele parasse de se inclinar para ela e fosse embora, ela finalmente aceitou a caixa.

O estranho agradeceu efusivamente, falou algo mais sobre ser do interior, disse seu nome e estendeu-lhe a mão. Ela apertou a mão dele, com um sorriso amarelo. Podia sentir seu rosto pegando fogo de vergonha. Não disse como se chamava. Ele não perguntou nem insistiu. Apertou a mão das outras duas e voltou para sua mesa.

As gargalhadas explodiram entre elas. O absolutamente improvável havia acontecido.

- Ainda bem que eu vim! - disse uma - Porque se você me contasse, eu nunca que ia acreditar numa história dessas!

A presenteada escondeu o rosto nas mãos. Estava rindo, achando tudo muito absurdo, surreal e improvável. Ela admitiu que, se contassem a história para ela, jamais acreditaria! Mas notou que os homens na outra mesa estavam olhando para elas. O do interior parecia exultantemente satisfeito. O amigo permanecia com uma expressão séria.

Com o rosto ainda escondido, ela pediu para saírem dali. Levaram, então, suas risadas e expressões de incredulidade para outro andar no estabelecimento. Uma alertou para a necessidade de verificar se não estavam sendo seguidas. A presenteada assentiu e ficou prestando atenção. A outra amiga pareceu ofendida pelo abandono da tortinha ruim.

A sandália não apenas era um número menor, como não era seu estilo. Pensou em dar de presente para outra amiga, mas foi dissuadida e decidiu trocar por algo que pudesse usar para ir para a universidade. A marca não era das melhores, o material utilizado era reconhecidamente de baixa qualidade. Ainda assim, trocou por outro da mesma marca. A visão da caixa provocou gargalhadas durante o resto da tarde. No fundo, acompanhando a incredulidade, havia um sentimento de ego inflado.


******


Mas Fernanda, diria você, isso não faz sentido nenhum! Quem, em sã consciência, daria uma sandália de presente para alguém que não conhece, só porque achou bonita? Se ainda fosse... Sei lá! Um bombom, uma trufa, uma flor... uma coisa barata assim... Mas uma sandália?


Acontece que, por mais que não faça sentido, essa história é verídica. Aconteceu ontem, comigo, enquanto estava no shopping com @denisecarneiro e @manu_lopes. Eu ainda estou pasma, mas tem um saco lá em casa com um sapato que eu não comprei, vindo de uma loja aonde eu nem entro. Vale salientar: o cara estava bêbado.

Minha própria mãe não acreditou na história! E ainda brincou que bem que podia ter sido o scarpin azul lindo de morrer que vi na Arezzo. Mas, se eu não queria aceitar um sapato de R$30, não aceitaria de jeito nenhum um de R$200!

Escrevi isso aqui porque é um fato digno de um conto. Se eu tivesse criado uma história dessas, não se pareceria tanto com ficção quanto a tarde de ontem. Que, by the way, teve outros fatos novelescos, como reencontros e reconciliações.

Ah! E não comam n'A Saborosa! Pelo menos não os doces! PÉSSIMA torta, lugar desorganizado e com uma ligeira falta de profissionalismo.



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Aulas...

8 de set de 2009

Acordo com dor de cabeça. Terceiro dia seguido que isso acontece. É cedo, muito cedo. Um horário indecente, o sol mal subiu no horizonte e a última coisa que eu queria era precisar que me levantar. Primeiro dia de aula. Eu tenho que ir.

Na rodovia, batidas e pistas fechadas. Infelizmente isso não me impede de chegar à universidade com apenas uns poucos minutos de atraso.

Muito sol e pouca sombra. Ao redor, gatos se estiram no chão e miam satisfeitos uns para os outros. Alguns ocupam as caixas destinadas aos aparelhos de ar-condicionado, ainda inexistentes nas salas quentes, mal projetadas, que recebem sol o dia inteiro e ventilação quase nenhuma.
Posso ouvir gritos e risadas histéricas vindo de uma das salas do primeiro bloco. As vozes agudas e animadas me são familiares. Minha turma. Tenho que confessar: não senti saudades. Não sou do tipo que sente saudades, mas ainda que fosse, não houve tempo o suficiente para isso.

Não há professor ainda. Nunca há no primeiro dia. Sempre tenho a esperança de que este será o período em que tudo funcionará, mas nunca é. Me arrependo de ter me levantado da cama tão obcenamente cedo. Pedaços de conversa alcançam meus ouvidos. As pessoas repartem novidades animadamente. As vozes cortam meus pensamentos. Levanto-me e vou olhar com os gatos. Eles não exigem socialização além do grau que estou disposta a dar.

******


Escrevi este texto pela primeira vez no primeiro dia de aula do sexto período. Agora, no primeiro dia de aula do sétimo, misturei um pouco daquele dia com a manhã de hoje. Incrível como nada muda. Desta vez, até tinha professor, mas o responsável por implementar as salas não o fez e, no horário da aula, a sala que o professor pretendia usar não tinha cadeiras e o piso estava sendo lavado. Bom, ao menos teremos salas limpas, né?


Os meus sentimentos também são os mesmos. Eu nunca quero voltar, sempre acho que uma semana de férias é insuficiente e nunca tenho paciência pela manhã.


Mas, dessa vez, o mantra "falta só um ano" será repetido a exaustão e, se tudo der certo, em pouco tempo estarei reclamando do mestrado, e sentindo saudades da graduação. =)


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Thyra II

6 de set de 2009

Parte I

A primeira coisa que quero saber é como o gato se comunica comigo. Provavelmente há alguém por trás. Quando o indago a respeito, ele diz que não. Não há magos, ilusionistas ou qualquer coisa do gênero. A voz vem dele.


Mas como?


Com essa pergunta, o gato começa a explicar algumas coisas:


  "Eu era um scout estava trabalhando para uma feiticeira, mas me recusei a completar seu último pedido. Ela não ficou satisfeita e me amaldiçoou. Há cinco anos eu procuro alguém que possa me ajudar. Você foi a primeira pessoa com quem consegui me comunicar."


  "E como espera que eu te ajude?"


  "Você precisa achar algum mago forte que possa desfazer o feitiço. Ou convencer a feiticeira a fazê-lo. Eu posso pagar. Além disso, sua habilidade com as flechas podem vir a calhar."


  "Como você vai me pagar? Você é um gato. Não vejo como pode ter carregado qualquer coisa com você."


  "Tenho uma quantia em dinheiro escondida. Você vai me ajudar?"


  "Vou."


Eu não via outra alternativa. Em primeiro lugar, não queria um animal me senguindo. Depois, achei que ele merecia retornar à sua forma original, mesmo não sabendo exatamente quem ele era ou quem era a feiticeira. Mas imaginei que alguém que transforma os outros em animais apenas por não satisfazer um de seus caprichos não devia ser a peça boa da história.


O gato saiu pela janela e voltou em instantes, com uma pequena bolsa na boca, contendo 60 peças de ouro, um plano inicial e uma recomendação:


  "Nesta mesma estalagem há uma outra mulher que talvez possa te ajudar. Diz ela ser uma ladra. O quarto dela é o segundo à direita. Há um mago em uma cidade próxima, talvez ele possa me ajudar. Fale com a mulher e proponha pagá-la para que te acompanhe."

Ainda era manhã, mas o sol estava alto. Imaginando que a tal ladra estaria acordada, bati na porta do seu quarto. Do outro lado, ouço resmungos e grunhidos de quem estava dormindo e um "quem é" mal-humorado. Identifico-me e falo que tenho uma proposta para ela. Ela abre a porta, sonolenta, com olheiras embaixo dos olhos negros e o cabelo, também preto, emaranhado. Conto-lhe que preciso procurar um mago em outra cidade e estou disposta a pagá-la para me acompanhar.

  "Quanto?"

  "10 peças de ouro." (O gato me sugere o valor.)

  "20."

 "15." (Ouço o gato me dizer que lhe dê 15 e não mais do que isso.)

Ela estende a mão e lhe dou 8 peças de ouro, explicando-lhe que, quando alcançarmos nosso objetivo, pagarei o resto. A mulher pede para que eu a espere no salão da taverna. Arrumo minhas coisas e a espero numa mesa, aonde ela senta e come antes de partir-mos. Conversamos enquanto ela come, e ela identifica-se e fala com bom-humor, diferente de quando a encontrei na porta de seu quarto.

 "Sou Eris Fastlane." - diz a ladra de cabelos pretos comendo animadamente. Ela se encanta com o gato preto que me segue e faz-lhe firulas, chamando-o de Fofis. Imagino que o scout dentro daquele monte de pêlos não fique muito satisfeito com isso, mas, como não me diz nada, deixo-a pensar que é apenas meu animal de estimação.

Compramos casacos grossos, comida e partimos em viagem pelo litoral gélidode Lamórdia, com o gato dentro de uma bolsa para que não sinta frio e não tenha dificuldade em acompanhar nossos passos. Não contei a Eris sobre o gato ou o motivo pelo qual procurávamos um mago, mas ela pareceu não se importar. Conversava animadamente e falava de sua vida. De repente, me tinha como melhor amiga. Também, não é todo dia que se encontra outra mulher com uma arma na mão se aventurando pelo mundo.

Continua...


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Dando prosseguimento à história.
Em Earthdawn, todo mundo é herói - ou quer ser. E imagina se algum hero-to-be deixaria um pedido de ajuda de lado? A ladra em questão também busca reconhecimento como heroína (e, claro, fazer fortuna).
Sem imagens desta vez. Fiquei com preguiça de procurar e mais ainda de dar aquela editada básica para ver se ficava parecido com o que imagino. (Nota: preciso aprender a desenhar ASAP!)



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