Acordo com dor de cabeça. Terceiro dia seguido que isso acontece. É cedo, muito cedo. Um horário indecente, o sol mal subiu no horizonte e a última coisa que eu queria era precisar que me levantar. Primeiro dia de aula. Eu tenho que ir.
Na rodovia, batidas e pistas fechadas. Infelizmente isso não me impede de chegar à universidade com apenas uns poucos minutos de atraso.
Muito sol e pouca sombra. Ao redor, gatos se estiram no chão e miam satisfeitos uns para os outros. Alguns ocupam as caixas destinadas aos aparelhos de ar-condicionado, ainda inexistentes nas salas quentes, mal projetadas, que recebem sol o dia inteiro e ventilação quase nenhuma.
Posso ouvir gritos e risadas histéricas vindo de uma das salas do primeiro bloco. As vozes agudas e animadas me são familiares. Minha turma. Tenho que confessar: não senti saudades. Não sou do tipo que sente saudades, mas ainda que fosse, não houve tempo o suficiente para isso.

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Escrevi este texto pela primeira vez no primeiro dia de aula do sexto período. Agora, no primeiro dia de aula do sétimo, misturei um pouco daquele dia com a manhã de hoje. Incrível como nada muda. Desta vez, até tinha professor, mas o responsável por implementar as salas não o fez e, no horário da aula, a sala que o professor pretendia usar não tinha cadeiras e o piso estava sendo lavado. Bom, ao menos teremos salas limpas, né?
Os meus sentimentos também são os mesmos. Eu nunca quero voltar, sempre acho que uma semana de férias é insuficiente e nunca tenho paciência pela manhã.
Mas, dessa vez, o mantra "falta só um ano" será repetido a exaustão e, se tudo der certo, em pouco tempo estarei reclamando do mestrado, e sentindo saudades da graduação. =)
