Ele estava sentado diante do computador e a recepcionou com seus grandes olhos e um sorriso carinhoso, que ela recebeu com alívio depois do dia que tivera.
Disse-lhe que tomaria um banho rápido, depois iriam para a cama e assim o fez. Voltou para o quarto relaxada após a ducha quente e deitou-se ao lado dele. Deixou que o peito macio aquecesse suas costas, confortou-se com o braço que passava pela cintura e, sentindo que estava em casa, inspirou fundo o aroma amadeirado que ele exalava e que tomava todo o ambiente.
Inspirou até que não sentiu mais. O quarto esfriou. O peso do braço era imperceptível. Nas suas costas, só o vento gelado. Não havia vincos nas cobertas ou o peso da cabeça dele no travesseiro. No ar, nada do aroma reconfortante, só o cheio asséptico do lustra-móveis. Ele esvanecera, tal qual fumaça.
*Imagem por Meaghan Thomas, no Flickr
