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By Ferramentas Blog
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Ausência

2 de mai. de 2010

Chegou em casa tarde naquela noite. Tirou os desconfortáveis sapatos antes mesmo de fechar a porta, apoiando-se na maçaneta. Deixou-os na sala, amanhã guardaria, e seguiu para o quarto com passos leves e rápidos pelo chão frio.

Ele estava sentado diante do computador e a recepcionou com seus grandes olhos e um sorriso carinhoso, que ela recebeu com alívio depois do dia que tivera.

Disse-lhe que tomaria um banho rápido, depois iriam para a cama e assim o fez. Voltou para o quarto relaxada após a ducha quente e deitou-se ao lado dele. Deixou que o peito macio aquecesse suas costas, confortou-se com o braço que passava pela cintura e, sentindo que estava em casa, inspirou fundo o aroma amadeirado que ele exalava e que tomava todo o ambiente.

Inspirou até que não sentiu mais. O quarto esfriou. O peso do braço era imperceptível. Nas suas costas, só o vento gelado. Não havia vincos nas cobertas ou o peso da cabeça dele no travesseiro. No ar, nada do aroma reconfortante, só o cheio asséptico do lustra-móveis. Ele esvanecera, tal qual fumaça.

*Imagem por Meaghan Thomas, no Flickr


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Coruja

28 de fev. de 2010

- Mãe, tenho algo pra te contar.

Com essa frase, expus os mais recentes fatos. Os olhos dela brilharam. A voz se amaciou com mais ternura do que achei possível. O semblante era de felicidade extrema. Naquele momento, minha mãe seria o mais perfeito modelo para um pintor retratar a Anunciação.

Ela logo declarou que queria ver o ultrassom, acompanhar o pré-natal e ser a primeira a ver os bebês recém-nascidos. Mas logo refreei.

- Calma, a beagle da minha amiga acabou de engravidar. Ainda tem os meses de gestação e de desmame pela frente.

Ainda assim, ela não se conteve e continuou fantasiando com o futuro próximo, em que terá um filhote em suas mãos novamente.


Acho que se alguém disser pra ela que ela vai ter netinhos, a felicidade não vai ser tanta...

(Foto de Night Hawk2006. Veja aqui.)


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Aulas...

8 de set. de 2009

Acordo com dor de cabeça. Terceiro dia seguido que isso acontece. É cedo, muito cedo. Um horário indecente, o sol mal subiu no horizonte e a última coisa que eu queria era precisar que me levantar. Primeiro dia de aula. Eu tenho que ir.

Na rodovia, batidas e pistas fechadas. Infelizmente isso não me impede de chegar à universidade com apenas uns poucos minutos de atraso.

Muito sol e pouca sombra. Ao redor, gatos se estiram no chão e miam satisfeitos uns para os outros. Alguns ocupam as caixas destinadas aos aparelhos de ar-condicionado, ainda inexistentes nas salas quentes, mal projetadas, que recebem sol o dia inteiro e ventilação quase nenhuma.
Posso ouvir gritos e risadas histéricas vindo de uma das salas do primeiro bloco. As vozes agudas e animadas me são familiares. Minha turma. Tenho que confessar: não senti saudades. Não sou do tipo que sente saudades, mas ainda que fosse, não houve tempo o suficiente para isso.

Não há professor ainda. Nunca há no primeiro dia. Sempre tenho a esperança de que este será o período em que tudo funcionará, mas nunca é. Me arrependo de ter me levantado da cama tão obcenamente cedo. Pedaços de conversa alcançam meus ouvidos. As pessoas repartem novidades animadamente. As vozes cortam meus pensamentos. Levanto-me e vou olhar com os gatos. Eles não exigem socialização além do grau que estou disposta a dar.

******


Escrevi este texto pela primeira vez no primeiro dia de aula do sexto período. Agora, no primeiro dia de aula do sétimo, misturei um pouco daquele dia com a manhã de hoje. Incrível como nada muda. Desta vez, até tinha professor, mas o responsável por implementar as salas não o fez e, no horário da aula, a sala que o professor pretendia usar não tinha cadeiras e o piso estava sendo lavado. Bom, ao menos teremos salas limpas, né?


Os meus sentimentos também são os mesmos. Eu nunca quero voltar, sempre acho que uma semana de férias é insuficiente e nunca tenho paciência pela manhã.


Mas, dessa vez, o mantra "falta só um ano" será repetido a exaustão e, se tudo der certo, em pouco tempo estarei reclamando do mestrado, e sentindo saudades da graduação. =)


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Acidente (?)

13 de ago. de 2009

O carro vinha em alta velocidade pela rodovia. Ele havia cruzado um longo e absolutamente desnecessário caminho. Estava levemente embreagado. Não viu a curva. Não pisou no freio. Capotou.

O veículo rodou quatro vezes até bater num poste. O motorista, desacordado. Na madrugada vazia, de repente, surgem espectadores, cada vez em maior número, se amontoando em volta da lataria amassada. O eixo principal já era. Os comentários aumentam. Ninguém viu o ocorrido, mas todos têm um pitaco.

Alguém pensa em descobrir que é o jovem incauto. Mexe na carteira e no celular. Liga para o número registrado em "Casa". Avisa do acidente. Outro alguém chama uma ambulância. "É 911?" "Não, demente! Você tá vendo seriado americano demais! Liga pro 190."

A ambulância chega, o familiar chega, o motorista não abriu os olhos. Há um corte na cabeça, a pulsação está fraca, o sangue escorre profusamente do corte. Pede transplante! Qual tipo de sangue? Manda O+ e tá tudo certo! Mas e se ele for negativo?

O coração arrítmico não aguenta. O corpo anêmico não aguenta. O jovem falece a caminho do hospital.



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